embora escrito antes de assisti-lo, na ressaca de A Caça, do Thomas Vinterberg.
Isso que ela diz
Isso provavelmente é mentira.
Não mentira arquitetada, mas um engano.
O cara provavelmente é um idiota.
Um idiota sortudo pra caralho que não soube aproveitar a sorte.
Ou que soube até demais, um idiota muito inteligente,
o pior tipo de idiota.
O idiota perigoso.
O idiota que reúne gente a mancheia ao redor,
ou o idiota que sabe falar,
no sentido de que é ligeiramente bem articulado,
mas é um lisonjeador,
um pela saco de marca maior,
um merda, mas um merda sagaz.
Um merda que incuba e inocula fatos
como fetos in vitro
plenos de medo e merda e morte
e assassinato
Um merda assassinariamente inteligente.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Basbaque V
A partir de para Luísa e Laura
"Lá vai a Terra, meus filhos
levando seus assassinos"
A Laura falando de Viewpoints, a voz e ela são ameaçadoras.
Nela se concentra parte do núcleo da Terra.
Força gravitacional, campos magnéticos, temperaturas altíssimas e
Tomara que fiquemos vivos, as ideias e éticas,
e nossos yogas nos salvem saudação ao sol,
comunique-lhe o astro nossa presteza e prontidão com os ciclos
que há, namorada, de fácil um dissabor ainda dizer
seus seios
a seus anéis)
os sussurros codificados propagados no vácuo
nem nada disso.
"Lá vai a Terra, meus filhos
levando seus assassinos"
A Terra, meus filhos, Tom Zé
A Laura falando de Viewpoints, a voz e ela são ameaçadoras.
Nela se concentra parte do núcleo da Terra.
Força gravitacional, campos magnéticos, temperaturas altíssimas e
[mortais.
Não somos nada.Tomara que fiquemos vivos, as ideias e éticas,
e nossos yogas nos salvem saudação ao sol,
comunique-lhe o astro nossa presteza e prontidão com os ciclos
[terrestres,
e a Terra não se lamente amarga a Saturno como transcreveu Tom
[Zé,
(não tanto tudoque há, namorada, de fácil um dissabor ainda dizer
seus seios
a seus anéis)
os sussurros codificados propagados no vácuo
nem nada disso.
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Basbaque IV
A dura arquitetura dos
prédios das ruas do Rio são rostos enrugados
[e virados de ontem,
também
bêbados, os motivos são distintos e vários.
Todos estão no mesmo barco.
Curtindo todos o mesmo barato.
Flácidos e plácidos, flancos digeridos pela
erosão como as
[montanhas, as rochas.
Voçorocas esfarelantes em pedras portuguesas.
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Basbaque III
Os adolescentes azuis do Ph
seus rostos tortos de formação em andamento e masturbações em
[flor,
o odor
conveniente se deles se do entorno,
o papel higiênico segundos antes de
consumado seu fim,
ou o cu deixando de estar imundo de merda.
Neste conúbio
cotidiano
vejo seu rosto assomando,
espirrando, escarrando, tossindo, rindo, guturando.
Esse bói vai pra casa ainda
bater seu
crânio em química orgânica e ver tv e pensar nos peitos daquelas nas quais
já despontaram espocaram despencaram do tórax.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Poema de Amor VI
"Eu preciso mandar notícia
Pro coração do meu amor me cunzinhar
Pro coração do meu amor me refazer
Me sonhar
Me ninar
Me comer
Me cunzinhar como um peru bem gordo
Me cunzinhar que nem anum-tesoura
Um bezerro santo
Uma nota triste.
Me cunzinhar como um canário morto (...)"
Pro coração do meu amor me cunzinhar
Pro coração do meu amor me refazer
Me sonhar
Me ninar
Me comer
Me cunzinhar como um peru bem gordo
Me cunzinhar que nem anum-tesoura
Um bezerro santo
Uma nota triste.
Me cunzinhar como um canário morto (...)"
Carta, Tom Zé
A lâmina fria de
amor interrompido me avermelha as costas
com seus tapas termicamente complexos
em manhãs de zumbidos agudos e eternos.
Zumbidos de geradores elétricos,
os
prédios que pingam suas umidades ao chão,
e o corpo em que me enxerta meu
corpo -
já sempre ouço e devo ouvir os meus ruídos,
minhas digestões e perdas de
frequências,
meus risos e vozes,
devo ouvir ainda e ouço as desse corpo espaço-temporal
cotidiano que me engoliu.
Amor.
Tão concreto quanto os socos que levo,
um corte
no corpo que a ele sirva de entrada.
Lento e implacável.
Como eterna infecção.
Como eterna infecção.
sexta-feira, 26 de abril de 2013
domingo, 21 de abril de 2013
terça-feira, 9 de abril de 2013
Meninas
As vezes sem moção
Moções
e mocinhas
As vezes sem mocinhas, foram vezes solitárias
infinito vezes as
vezes solitárias.
As crias das rinhas entre meninas,
crias frias finas,
narizes
finos, seios finos, cinturas finas, olhos finos, quadris finos,
ferina farta
face fina.
As crias das rinhas, rinhas minhas, meninas minhas,
impossíveis vidas,
vivas vertidos às impossíveis vidas vivas,
as vezes solitárias vidas rinhas,
ninharias mínimas minhas,
meninas impossíveis solitárias, rinhas impossíveis
solitárias entre mim e meninas finas.
Sempre sem moção,
moções e mocinhas,
sem
vinhas e vinhos, sem linhas e linhos.
As vezes solitárias, tantas quantas todas
apenas,
moções solitárias meninas solitárias finas minhas solitárias.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Cabeça
Às vezes ouvia um estrondo na lataria do ônibus. Pensava que
era alguém socando ou estapeando pra que o motorista parasse, apesar dos
intervalos longos. Mas o cargo reincidia sem se apresentar o encarregado, e,
ninguém entrava. Não se devia tratar disso portanto. O motorista checou pelo
retrovisor, de pronto se assustou um pouco, mas continuou, cada vez mais
rápido. Cada vez porque ainda parava nos pontos, o que descompensava o
investimento de rapidez. Até que numa vez, depois de breve exame do retrovisor,
parou o carro saltou do volante, voltou porque se esquecera de abrir a porta,
abriu e saiu correndo para a parte de trás. Todos se ergueram parcialmente dos
lugares, ao modo de pombos, esticando os pescoços, pelas janelas ou por cima
dos colegas de banco. Os olhinhos vermelhos e ligeiros. O motorista ia ao socorro
de um homem com o crânio partido. Aparentemente, ele vinha batendo com toda a
força a cabeça na parte lateral e traseira do ônibus. Agora não se aguentava em
pé, estatelado no chão, ao modo do pescoço que não aguentava a cabeça, quando o
socorredor tentava erguer seu tronco. Estava todo quebrado, e o sangue. Rolavam
os comentários idosos feitos inclusive por velhos, meu deus, jesus cristo, filho da puta sem juízo, morreu!, viu, tudo é tão perigoso, só pode ser maluco, só dá maluco.
E o sangue manchando o asfalto, secava nesta merda de dia quente da porra.
Estalava no asfalto. E quando é que vinha o motorista, compadeço tudo muito
bem, mas eu ainda conservo minha cabeça e lamento. Ficar aqui suando, pretender
entrar no coro caro aos fatalistas, de gente é muito doida, caralho não há nada
que fazer ou esperar de ninguém. Soltei um puta que pariu, o sujeito do meu
lado, pois é, e eu, não você não entendeu. Aí me olhou como se visse um ser inteiramente
estranho, não poderíamos ser da mesma espécie, sem chance. Ergueu-se pra ver
melhor o infeliz lá embaixo. Aquele fedor do ônibus como não bastasse. Sem
ar-condicionado, talvez com ele piorasse o fedor, mas pelo menos fedia-se sem
calor. Eu suando, limpei meu rosto com a camisa, e fiquei olhando pra minha
barriga. Peguei uma folha de jornal, era o Destak, que circulava pelo chão e
enxuguei meu tronco. Constatei um limite grave transposto. Chamem uma
ambulância, não adianta o cara achar que resolve sozinho, o cara já deve estar
morto. Só deve ter parado porque morreu e não conseguia mais bater a cabeça.
Desci a camisa, e ventilei a barriga e as costas, dando uns puxõezinhos na
malha. Caralho. Levantei pra olhar. Abertaça, fala sério, esse cara tá morto.
Pra lá de morto. Desci do ônibus e fui andando pro outro ponto entre o Parque
Lage e o Clube Militar. Rsrs.
**
Almoçava minhas preocupações se
voltaram para Lana. Era Laís, determinou que a chamássemos assim. Ela é dessas
que escolhe o nome que lhe chamarão, não lhe dão nome. Acho interessante, mas
não se trata disso. Ruminava sua imagem, que era bonita, todo o corpo. Não sei
o quanto se interessava por mim. Julguei que talvez fosse suficiente para ligar
propondo uma foda. Entre ela e eu, isto é. Ela não se procura impressionar com
as coisas. Talvez ficasse desconcertada. Por telefone dava-lhe uma vantagem, de
não poder ver seu rosto na hora. Liguei, tinha seu telefone, não me lembro
quando peguei, se ela me deu, ou procurei tê-lo, fato é que tinha e liguei. Ela
atendeu eu disse oi, tudo bom. Claro ela não sabia quem falava, falei sou eu e
tal. Quer dizer, disse meu nome. Enfim. Você topa transar? O quê? Transar, você
topa. Ah tá, você não tem namorada? Tenho. E então? E então o quê? E ela? Ela,
o quê, sei lá, não, é só comigo, você topa? Não e ela é ok com isso? Não sei.
Não acha melhor perguntar? Não, você topa? Não quero problema com ninguém. Você
vai contar? Contar, hã, não. Nem eu, então vamo nessa. Mas cara, você nem é
irresistível a ponto de eu passar por essa dor de cabeça. Ah fala sério. Fala
sério é o caralho, não fode, eu até topava, entendeu, não tô fazendo nada, mas
porra, não tô afim de dor de cabeça. Beleza eu falo com ela, se ela for tudo
bem, topa? Beleza. Então beleza. Não liguei pra namorada. Foda-se. Disse que
tudo ok, ela se animou, veio pra minha casa. Moro com dois caras. Fede. No meu
quarto tem um fedor azedo suave, cuja origem desconheço. Transamos. Foi bom como
normalmente é uma transa, nada de excepcional. Aliás, não sei se saberia
reconhecer uma transa excepcional se participasse de uma. Ela parece ter se
sentido de maneira parecida. Pelo menos no que concerne à primeira parte. Nada
de excepcional. Acendeu um cigarro. Não sabia que você fumava. Só quando eu
transo. Ah, então você não fuma fuma. Fumo. Entendi. Isso foi engraçado, aí fiz
outra proposta. Escuta, você me faz um favorzão? Qual? É uma parada meio suja.
Tipo o que?, se é de cozinhar, não sou de cozinhar, ou é metafisicamente má?
Não, literalmente suja, de sangue. Hum. É o seguinte: eu quero bater minha
cabeça na parede até morrer. Hum, tá. Sacou? Saquei, entro nisso onde, pra te
enterrar? Se quiser, mas se quiser me deixar aqui tranquilo também. Mas ham, e
aí? É porque eu não acredito que eu vou conseguir me matar assim, só conseguir
foder minha cabeça e desmaiar. Tá. Aí queria que você pegasse sei lá, hã, pode
ser um martelo, tem um maluco que mora aqui que tem um martelo, aí queria que
você pegasse o martelo e me matasse quando eu cansar, pode ser? Ela pensou um
pouco, não se desconcertou, acho que deve ter achado que eu tava tirando onda.
Talvez eu estivesse, mas ela pagou pra ver aí fodeu. Ok, beleza, cadê o
martelo? Catei no outro quarto. Dei pra ela e comecei. Claro que doeu pra
caralho. Comecei a ficar tonto, e comecei a sangrar e a ficar meio triste. Vi
que começava um orifício na parede. E que ele ficava vermelho bem de leve do
meu sangue. Aí desmaiei. Fiquei considerando se ela ia fazer aquilo. Claro que
por um momento eu quis que não. Julguei que enquanto eu me batia ela pudesse
estar com o martelo na mão, assustada, querendo que eu parasse, naquele papo de
mulher acuada, para com isso querido, vem pra cá, vamo foder que eu te faço
jantar. Caralho, será que era isso que eu queria? Que merda. Bom, fato foi que
logo acordei do desmaio. Não sei que pancada foi, se a terceira ou quarta, ou
qual. Provavelmente não foi a primeira, já estava bem arrebentado. Gritei de
dor, pra sacanear e ver se ela continuava. Urrei na verdade, afinal doía pior
que tudo. Ela não se assustou. Quer dizer, teve um sobressalto no corpo, os
dedos crisparam em volta do martelo suado sujo de sangue cabelos e pedaços de
coisas, arreganhou os dentes, e lágrimas, algumas de cada olho despencaram,
solícitas. Não chorava, nem o rosto avermelhava, aquelas verteram de outro
modo. Parecia ódio, pena, nojo. Um inseto cujo modo de espirrar as tripas
lembra o de um humano. Já não governava a mão, que desceu sobre mim e me fodeu
a boca, partindo-me os dentes e as gengivas. Subia de novo descia. Afundou-me
um olho depois. Experiência ímpar, apesar de aconselhar a ninguém. Ela estava
me matando, sem vacilo. Que amor me obedecia.
sábado, 12 de janeiro de 2013
Buraco
levemente traduzido de e ocasionado por "it's alright ma (i'm only bleeding)" do Bob Dylan e "head like a hole" do Nine Inch Nails
Cabeça qual ralo
imolada logo
em pelo
pelo dito fato
Corpo qual culo
em cujo colo
a si próprio
afunda fundo
órgãos somados
são ser são malsão
mal são ser sem quem acuda.
Puta merda mãe
curto a drupa
treva mãe
não dela o sumo chupo
tudo bom de boa bem de tudo certo mãe
Só tem que durmo quando ergo a vista a ler a letra.
Aí parece não vervejo quando a
coisa fica preta.
Nem a nega preta.
Nem a teta greta.
pelo dito fato
Corpo qual culo
Puta merda mãe
Nem a teta greta.
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