sábado, 3 de outubro de 2015

medo da mariana



















Sittin' here resting my bones
and this loneliness won't leave me alone
Otis Redding

MEDO DA SOLIDÃO
NÃO SENDO MEDO DE FICAR SÓ
ESTAMOS SÓS O TEMPO TODO
MAS MEDO DE NÃO CONSEGUIR SUPORTAR FICAR SÓ
OU
SE FORMOS PELO MACALÉ
QUE HÁ SEMPRE AO MENOS VOCÊ COM VOCÊ
ENTÃO É SIM MEDO DE FICAR SÓ
PORQUE NUNCA SE ESTÁ SÓ
E SE ACONTECE QUE ME SINTA SÓ
É QUE NÃO ESTOU SACANDO
ISTO É
SENTINDO
QUE COMIGO
ESTÁ EU
TAMBÉM
QUE EU
"É VOCÊ
VOCÊ
E VOCÊ."
(o quequandocomo suscita isso?
essa suma cegueira
de tudo quanto é sentido?)

EU NÃO SOU SÓ EU
"EU É UM OUTRO"
"E OUTRO
E OUTRO
ENFIM DEZENAS
TRENS PASSANDO
VAGÕES CHEIOS DE GENTE
CENTENAS"

SE EU SOU SÓ EU
SUPLÍCIO MÁXIMO
FADO EXASPERADO
SOLIDÃO IMPOSSÍVEL
OBSCURA COMO UM FATO
VIVIDA COMO QUEM SENTE A VIDA
NUNCA AINDA AQUI.

SOLIDÃO
A
PAVÓ
ORÁ
TUDO DEMORAN
DO EM SER
TÃO RUIM
MAS ALGUMA COISA ACONTÉ
CE
NO QUANDO AGÓ
RA EM MIM
CANTAN
DO EU MAN
DO A TRISTÊ
ZA EMBÓ
ORÁ.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

bicho
relaxa
ninguém chega
a se achar macho.

domingo, 9 de agosto de 2015

morrer como fiz agora
amor não como esta agonia retroativa
em retrospecto todo possível é impossível
queria a glória de um cu
ou o cu de uma glória

sábado, 1 de agosto de 2015

ato falho com tarso

quanto tu ficas
quanto tu voltas
quanto tu ias

quinta-feira, 30 de julho de 2015

saudade tão sinistra de você que não consigo chamar de saudade
não sou eu, não é isso, não é você

domingo, 26 de julho de 2015

mortos somos invencíveis

leminski, posfácio do mishima

em se me inuma
se me imune
em ser humano

segunda-feira, 13 de julho de 2015



ensejo suma
em sumo que
ta percevejo


domingo, 14 de junho de 2015

Martin Parr



















Vômito ou quase e frio uma boceta pequena de gosto aguado junto ao fundo da pior música rachando mal o silêncio a pior porque marcará essa sucessão de instantes sob fogo azul toda essa temperatura repugnante novamente frio como a virilha fria em mau dia azeda azul seria um fogão em que uma boca está ligada no escuro ela não é fria mas vê-la é frio enquanto estamos conversando em outro quarto sentindo a textura que a cachaça deixara em nossos dentes, línguas e ideias.

A propósito mas em outra vida, descíamos cheirosos, de banhinho tomado, deliro uma fogueira, uma menininha corre atrás de um menininho, as pilastras e paredes em que se seguram e escondem parcialmente os corpos e sorriem nunca pareceram tão sólidas, os risos desfiguram o rosto e esquentam ligeiramente o entorno. Dobro os antebraços um sobre o outro sobre a mesa os cotovelos me apoiam, um vento frio corre nada é importante e as árvores silentes e me trouxeram um vinho tão doce que é jocoso e agora eu rio como eles com dentes negros alguém desenterrará uma cachaça logo mais muito preciosa seja por sabor ou saudade alguém requenta o macarrão de hoje cedo e sinto o cheiro que me dá fome e o teco metálico de garfo em dentes. Fala-se e não ouço nada que não seja tudo simultâneo e indiscernível e lá vem a cachaça eu digo claro à mão que me aponta a cachaça ou o copo e traz o copo na outra e a cachaça em uma e eu digo claro e ela sorri e fala alguma coisa e o põe na minha frente e inclina a garrafa um seio em meu cenho me serve e descreve a cachaça e isso eu ouço distingo pedaços de palavras mas não entendo e brindamos todos e bebemos todos.

sábado, 13 de junho de 2015

Basbaque XI

por hoje chega
essa é a sentença
Chega
por hoje chega
essa é a sentença
como
Hoje
é um conceito difícil
ou
se não é difícil
não é claro
ou
se não é claro
Chega
é menos difícil

a pior coisa do mundo
é tudo que já aconteceu
e que não para
teima em não parar
é ridículo
atribuir vontade
ao que é
– que teime –
isso sou eu
e por hoje
como sabemos
Chega.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

mer

Willy Ronnis








vejo minha
vida
zinha
me
do verbo mer
como se
do verbo ser
passar