quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Poema de Amor I

Parece-me amor
Quando brincam com minhas orelhas
Abro os olhos
E vejo um rosto estranho.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Zutana Runea Oãso

Açúcar na cabeça
Abelhas vêm, dão-me mel
Não sou a natureza.

Espremo gente
Pra sentir o aroma
Não sou a natureza,
Nem dela dona.

Se fosse, daria outro nome
Um que não coubesse em poemas
Com dez mil sílabas e novecentos fonemas.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Punctum

existe algo primaz
por detrás da face das coisas
que, quando à tona,
denota
que existe algo
primaz
por detrás.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Frestas No Entre Portas

Existem frestas no entre portas
onde há penumbra dum lado
do outro, o mundo velado.

existem frestas no entre portas
por onde esconde o rubor amarelo
o oculto estreito e banguelo.

existem frestas no entre portas
onde assentam aranhas com pernas tortas
que acampam em sombrias botas.

existem frestas no entre portas
onde a matéria etérea e descolorida
é secreta e divertida.

existem frestas no entre portas
em que todo o riso é novo e ali;
é o segredo de como se ri.

existem frestas no entre portas
de onde fogem furtivas notas,
as que soam vidas remotas.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Timidez



Tenho dois olhos
E duas bocas.
Tenho uma orelha
Um pouco rouca.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Eu

Eu não cedo,
Eu tardo.

Rol de Cores

além
há um rol de cores
estica
a mão
e apanha uma.

parapeito
o céu frui da mão
rica
que agonia-se um tanto
da altura.

Lá embaixo está o chão.

mão dura
escuta
ausculta
o redor.

nada.

melhor
que o pássaro,
no braço, pousante.

rompante pio.

se lhe apetece,
recolha-se,
não é fio,
se aborreça, não.

além
há um rol de cores
deixa uma
e traz
a mão.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Paisagem Gasta

Um ponto branco na tela cinza

seu cabelo à beira da estrada
junto à mata

sua voz no meio da avenida

no meio de um deserto,
um eco
de um som
feliz

um eco.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Impressão Cardíaca

Minúcia, deveras,
a escolha.
Perfaz nós
infinitos.

Bom é quem não se aflige:
tudo tem mesmo um nível de erro.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Teus Dedos

Os teus dedos são segredos
que sempre se anunciam,
se é paciência ida ao degredo
jamais, pois, se leriam.