domingo, 28 de março de 2010

Finda

és olor

um que paralisa
és o que vem da brisa
que vem à guisa de amor.

És diáfana
Pétala.

Teu rubor insiste, como se, em riste
fosses o tombo do que pensasses.
Como se, no lombo, tu carregasses a cruz leve.

Tu és breve.

sábado, 27 de março de 2010

Poema de Amor II

de madrugada, acordo
a luz de fora embebe o quarto
meu amor está atrás da porta
um sorriso violento nos lábios
pedindo que eu faça silêncio.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Ressaca

O vento sopra
O mar muda
A onda bate

Assisto o mundo,
sem notícias.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Poema Tácito

O mundo corre monocórdio por olhos cerrados
curam a cor pouco eloquente de domingos à mingua.

E o ouvido que olvida
vive a vida numa ida
volta não há;

um passo a frente,
quiçá,
que ruma
para onde está.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Meditação Ridícula

Meu bem, pesa a solidão aqui
Também, amor, cansei de mim, meu bem, aqui
Ali, aí, acolá
Em qualquer lugar, meu bem, aqui.

O medo aqui a gente sente
O medo aí a gente ri, meu bem, aqui
Aí, aqui, sei lá
Em se rindo, já se dá, meu bem, aqui.

Quero a ríspida luz de meu bem
A que emana de mim, meu bem, aqui
Aí, ali, todo lugar

E vá!
Escrevinho pra mim
Eu, meu bem, eu, bem, aqui.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Poema de Amor I

Parece-me amor
Quando brincam com minhas orelhas
Abro os olhos
E vejo um rosto estranho.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Zutana Runea Oãso

Açúcar na cabeça
Abelhas vêm, dão-me mel
Não sou a natureza.

Espremo gente
Pra sentir o aroma
Não sou a natureza,
Nem dela dona.

Se fosse, daria outro nome
Um que não coubesse em poemas
Com dez mil sílabas e novecentos fonemas.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Punctum

existe algo primaz
por detrás da face das coisas
que, quando à tona,
denota
que existe algo
primaz
por detrás.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Frestas No Entre Portas

Existem frestas no entre portas
onde há penumbra dum lado
do outro, o mundo velado.

existem frestas no entre portas
por onde esconde o rubor amarelo
o oculto estreito e banguelo.

existem frestas no entre portas
onde assentam aranhas com pernas tortas
que acampam em sombrias botas.

existem frestas no entre portas
onde a matéria etérea e descolorida
é secreta e divertida.

existem frestas no entre portas
em que todo o riso é novo e ali;
é o segredo de como se ri.

existem frestas no entre portas
de onde fogem furtivas notas,
as que soam vidas remotas.