quarta-feira, 14 de abril de 2010

Poema de Amor IV

Mar é chumbo
Penetrável.

Tal e qual
Tu.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Poema de Amor III

Hoje, vi na rua
Uma barriga igual a sua
(Em verdade, na orla)
E os peitos eram iguais aos seus.

O rosto era outro, todo diferente
Que impedia engano,
e que me envergonhasse chamando seu nome,
Mas, me ocupando do que me ocupava,
Imaginei nela sua fronte.

Por onde anda você
Seu corpo exausto e hostil
atravessando o chão?

O tempo que você ria
quando eu mastigava ao sol
seu som de alecrim?

domingo, 4 de abril de 2010

Uma Aranha Metafísica

Uma aranha enormantesca
espreita-me do teto, no escuro.
Quando suas presas se separam
e principiam palavras,
em tom de inquérito,
meu susto é tal,
que morro sem ouvir a pergunta.

domingo, 28 de março de 2010

Finda

és olor

um que paralisa
és o que vem da brisa
que vem à guisa de amor.

És diáfana
Pétala.

Teu rubor insiste, como se, em riste
fosses o tombo do que pensasses.
Como se, no lombo, tu carregasses a cruz leve.

Tu és breve.

sábado, 27 de março de 2010

Poema de Amor II

de madrugada, acordo
a luz de fora embebe o quarto
meu amor está atrás da porta
um sorriso violento nos lábios
pedindo que eu faça silêncio.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Ressaca

O vento sopra
O mar muda
A onda bate

Assisto o mundo,
sem notícias.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Poema Tácito

O mundo corre monocórdio por olhos cerrados
curam a cor pouco eloquente de domingos à mingua.

E o ouvido que olvida
vive a vida numa ida
volta não há;

um passo a frente,
quiçá,
que ruma
para onde está.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Meditação Ridícula

Meu bem, pesa a solidão aqui
Também, amor, cansei de mim, meu bem, aqui
Ali, aí, acolá
Em qualquer lugar, meu bem, aqui.

O medo aqui a gente sente
O medo aí a gente ri, meu bem, aqui
Aí, aqui, sei lá
Em se rindo, já se dá, meu bem, aqui.

Quero a ríspida luz de meu bem
A que emana de mim, meu bem, aqui
Aí, ali, todo lugar

E vá!
Escrevinho pra mim
Eu, meu bem, eu, bem, aqui.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Poema de Amor I

Parece-me amor
Quando brincam com minhas orelhas
Abro os olhos
E vejo um rosto estranho.